Impostômetro

2 de junho de 2014

Oficina multiplica conhecimentos sobre Sistemas Agroflorestais na Reserva Amanã

27/05/2014


 Everson Tavares
Melhorar a segurança alimentar e enriquecer as práticas tradicionais de manejo dos agricultores familiares são alguns dos objetivos da implantação de Sistemas Agroflorestais (SAF) em comunidades ribeirinhas no Médio Solimões. Na Reserva Amanã, cerca de 30 pessoas participaram de uma oficina para discutir e experimentar técnicas de manejo agroflorestal.
A Oficina de Multiplicação de Conhecimentos em Sistemas Agroflorestais aconteceu entre os dias 20 e 23 de maio e foi promovida pelo Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá. O encontro reuniu ribeirinhos, quilombolas e indígenas de várias regiões da Amazônia que possuem experiências variadas com SAF.
Durante dois dias, a área de plantio de Edson da Silvia virou laboratório dos demais agricultores, técnicos e pesquisadores do Instituto. Para ele, a oportunidade de trocar experiências foi rica pelas novidades trazidas pelos participantes de outras regiões. “A gente se dedicou a plantar mais sementes para alimentação. E isso é bom para nós”, alega o agricultor que faz experimentos com SAF há mais de um ano.
Estruturado em um formato livre para privilegiar o conhecimento e a bagagem de cada produtor, a oficina se desenvolveu a partir da observação dos participantes na área. Eles debateram as possíveis soluções de manejo e a partir disso aplicaram as ideias na área avaliada. Em cerca de três horas, o mutirão transformou a paisagem de capoeira numa futura floresta de alimentos consorciando espécies agrícolas, plantas frutíferas e árvores florestais, além dos experimentos com técnicas de plantio de feijão no abafado.
Valdir de Souza foi um dos agricultores experimentadores que estimulou as discussões e contribuiu com novas técnicas de SAF – especialmente quanto ao manejo de bananeiras. Com larga experiência em agroflorestas para recuperação de áreas degradadas e produção de alimentos, o produtor rural saiu do Acre para compartilhar suas vivências na oficina. “É muito importante esse intercâmbio de conhecimentos entre os colegas agricultores”, declarou Valdir que usou o sistema agroflorestal para dobrar a produtividade por hectare e recuperar boa parte da floresta em sua área no Acre.
Foto: Everson Tavares
O técnico agroflorestal Samis Vieira participou da organização da oficina e explica que a ideia era promover um espaço para troca de saberes entre agricultores experimentadores e estimular o engajamento de outros produtores da Reserva Amanã. “Com esses agricultores mais experientes, queríamos compartilhar diferentes experiências com manejo agroflorestal na região amazônica e fortalecer ainda mais o grupo”, pontua.
A Oficina de Multiplicação de Conhecimentos em Sistemas Agroflorestais é uma ação do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central”, desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Por Everson Tavares
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