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16 de junho de 2013

Povos indígenas participam de aula inaugural de curso técnico



A Secretaria de Estado da Educação (Seed) realizou nesta terça-feira (16), a aula inaugural do curso técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio para Povos Indígenas. O curso será oferecido pelo Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia (CEEP) atendendo cerca de 40 alunos representantes das comunidades Kaigang e Guarani de todo o Estado.
A chefe do Departamento de Educação e Trabalho (DET) da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Sandra Regina de Oliveira Garcia, proferiu a aula inaugural, que contou com a participação de Wagner Roberto do Amaral, chefe do Departamento da Diversidade (DEDI). O curso é resultado de uma parceria entre ambos departamentos.
“O Estado do Paraná tem como política de governo as relações com a diversidade e a profissionalização. A criação desse novo curso trará para as comunidades indígenas a oportunidade de aprenderem sobre agricultura orgânica, podendo depois aplicar o conhecimento em suas terras dependendo da especificidade de cada região”, disse a chefe do DET, Sandra Garcia.
Ela aproveitou para informar que o Estado e as comunidades indígenas ganharão um Centro Estadual de Educação Profissional do Paraná. O colégio será construído no município de Manoel Ribas. “O processo já está em licitação e as obras deverão iniciar ainda no primeiro semestre. O colégio deverá ter o curso técnico de enfermagem, curso de artesanato e estamos analisando com eles quais serão as outras possibilidades. A escola irá trabalhar em regime de alternância e irá atender a cada mês cerca de 200 jovens e adultos indígenas”, concluiu.
Para o a chefe do DEDI, Wagner Roberto do Amaral, a intenção é atender a todas as necessidades das terras indígenas. “Portanto, trabalhamos forte e intensamente para que as políticas de educação profissional e as políticas da educação escolar indígena atuem juntas atendendo de maneira firme e atuante todas as comunidades”, disse.
O Curso Técnico em Agropecuária para Comunidade Indígena é inédito no Brasil e será realizado em modalidade de alternância: o estudante permanece na escola, onde recebe parte do aprendizado e retorna às terras indígenas para a aplicação prática dos conhecimentos. Além de conteúdos específicos do curso técnico, será oferecido conhecimento da cultura indígena. O curso terá a duração de 4 anos e será realizado em 12 etapas.
“Mais uma vez, o Governo do Estado demonstra atenção e respeito por nós indígenas. São tantos os benefícios e melhorias que é impossível numerar. Pela primeira vez, tivemos vez, voz e voto. Só temos a agradecer o emprenho e a dedicação para conosco”, disse o cacique Kaingang Neoli Olibio, da aldeia Boa Vista, em Laranjeiras do Sul. 
O cacique Neoli disse que a criação do curso será mais um desafio para os alunos e também para os professores, que vêem e vivem em realidades bem diferentes. “Será a oportunidade de trocar muitas experiências e tenho certeza que ao voltar para suas aldeias estes alunos levarão e aplicarão todo o conhecimento adquirido aqui”.
“Essa oportunidade é muito importante e temos que nos dedicar ao máximo, para que, quando voltarmos às nossas terras, possamos aplicar o que aprendemos, e dessa forma ajudar no desenvolvimento de toda nossa comunidade”, disse o aluno Eugênio Venega, da terra indígena Ocoy, em São Miguel do Iguaçu.
Formação de professores - Este é o segundo curso criado pela Secretaria da Educação para a comunidade indígena. O primeiro foi o de formação de professores, que alias já formou a primeira turma. Ambos os projetos visam atender a necessidade de profissionais capacitados para atuarem nas suas comunidades. A meta é proporcionar alternativas para o ingresso no mercado de trabalho e a melhoria de qualidade de vida nas comunidades indígenas.
O Paraná é o único Estado que oferece aos povos indígenas educação até o ensino médio, além da Fase I da Educação de Jovens e Adultos. Com a preocupação de garantir o direito à escolarização deles, a Secretaria da Educação desenvolve ações que ampliam e aprimoram a educação escolar indígena. As políticas públicas de inclusão permitem não somente o respeito à diversidade, mas também a preservação da cultura do povo indígena. 
Realidade – O Paraná possui atualmente 33 escolas indígenas em 19 municípios. São mais de 3 mil alunos indígenas matriculados. Dos 429 funcionários, 212 são indígenas da própria comunidade. Já foram realizadas mais de 663 horas de formação continuada para professores indígena. 
Desde 2005 foram criadas oito escolas indígenas. Em 2008, houve a entrega de duas unidades novas, uma em Nova Laranjeira e outra em Diamante D’ Oeste.
Também, em parceria com 12 prefeituras, foram feitas reformas e ampliações em 17 escolas indígenas, com recursos do Estado. E está em fase de licitação o processo para a construção de mais 13 novas unidades, resultado de uma parceria entre a Secretaria da Educação e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
As escolas indígenas possuem as salas de apoio à aprendizagem, para a superação da repetência e evasão escolar de alunos indígenas. E todas as escolas da rede estadual nos 399 municípios do Paraná já receberam 10 mil exemplares do Caderno Temático da Educação Escolar Indígena. O Paraná tem uma população indígena estimada em 13 mil pessoas.

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