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15 de janeiro de 2012

Recomendações gerais para cultivo de hortaliças orgânicas – Parte IV


O manejo adequado do solo através das matérias postadas recentemente neste blog (parte I, II e III) proporciona o aumento da resistência das culturas às pragas e doenças e às mudanças impostas por adversidades climáticas (ex.:estiagens e chuvas intensas). Normalmente, quando se considera o solo como um "organismo vivo" e tratando-o com métodos ecologicamente corretos, associados ao uso de práticas preventivas, não ocorrem doenças e pragas. Estas quando surgem, são um sinal de desequilíbrio e indicam problemas no manejo do solo. A ocorrência de insetos-pragas e doenças são a conseqüência e não a causa do problema. Por isso, em agricultura orgânica tratam-se as causas para que os resultados sejam os mais duradouros e equilibrados possíveis. Por outro lado, quando se pratica a agricultura moderna que prioriza o uso da monocultura (cultivo de apenas uma espécie), o uso intensivo de mecanização, adubos químicos e agrotóxicos em solos desequilibrados, favorecem o surgimento de inúmeras pragas e doenças que, se não forem controladas, podem prejudicar parcialmente ou totalmente a produção de alimentos e, o que é pior, contaminam o solo, rios, lagos, córregos, e ainda trazem sérias consequências à saúde do agricultor e consumidor.
.Reconhecimento das principais doenças, pragas e plantas espontâneas
Normalmente, quando se considera o solo como organismo vivo, realizando-se práticas ecologicamente corretas associadas ao uso de cultivares resistentes e ao manejo preventivo, não ocorrem maiores problemas com doenças, pragas e plantas espontâneas.
Em solos desequilibrados nos aspectos químicos, físicos e biológicos podem ocorrer, eventualmente, durante o ciclo das hortaliças (desde a emergência até à colheita), doenças, pragas e plantas espontâneas que prejudicam o crescimento das plantas e a qualidade do produto. Para se fazer o manejo correto das doenças, pragas e plantas espontâneas é muito importante, em primeiro lugar reconhecê-las. As principais doenças são:
.Fungos (Figuras 1 e 2) e bactérias (Figura 3): provocam o aparecimento de pintas ou manchas nas folhas, hastes e frutos, podendo causar o secamento, apodrecimento, murchamento e morte das plantas.
.Vírus (Figura 4)transmitidos por sementes e insetos, causam o amarelecimento, encrespamento, engruvinhamento e deformação de folhas, afetando o desenvolvimento das plantas.
.Nematóides: são pequenos vermes, invisíveis a olho nú, que provocam a formação de nódulos nas raízes, amarelecimento e murchamento das plantas.
Figura 1. Tomateiro com requeima: doença causada por fungo
 Figura 2. Oídio: doença do feijão-de-vagem e cucurbitáceas causada por fungo
 Figura 3. Podridão negra: doença das brássicas causada por bactéria
 Figura 4. Tomateiro com virose (vira-cabeça) transmitida por tripes
    As pragas, a exemplo das doenças, também se tornam um problema mais sério quando há um desequilíbrio ecológico no sistema onde a planta está inserida. Outras situações que podem favorecer o seu surgimento, são os desequilíbrios térmicos, excesso ou escassez de adubos e água e insolação inadequada. A maior parte das pragas ataca geralmente na primavera e no verão. Elas causam vários danos nas plantas, além de favorecer o surgimento de doenças, principalmente as fúngicas. 
    As principais pragas são:
. Lagarta rosca: corta as hastes das plantinhas rente ao solo. São escuras, com 3 a 5cm de comprimento, enroscam-se quando tocadas e, durante o dia, ficam escondidas no solo próximo à planta cortada.
. Lagarta das folhas: comem as folhas (Figura 5). Em geral, são esverdeadas e apresentam listas pretas no dorso com 3- 5cm de comprimento.
. Brocas: os adultos são pequenas borboletas que põem os ovos nas plantas (tomate – Figura 6, pepino – Figura 7 e abóbora), originando, depois de três dias, pequenas lagartas que se introduzem nos frutos em formação.
. Traças: os adultos são pequenas borboletas que põem os ovos nas plantas originando lagartas medindo em torno de 7 mm. Perfuram os brotos terminais e formam galerias nas folhas (tomate), perfuram os frutos (tomate) e os tubérculos (batata).
. Pulgões (Figura 8): sugam a seiva, provocam o engruvinhamento das folhas e transmitem doenças viróticas. São pequenos insetos (2 a 4mm) marrons, cinzas, esverdeados ou pretos que vivem em colônias,especialmente nas brotações novas, nas folhas mais tenras e nos caules, sugando a seiva e deixando as folhas amareladas e enrugadas. Os períodos mais favoráveis ao surgimento dos pulgões, que se multiplicam com rapidez, são a primavera, o verão e o início do outono. Precisam ser controlados logo que notados, pois multiplicam-se com rapidez.
. Ácaros: sugam a seiva e provocam o encarquilhamento e descoloração das folhas. São invisíveis a olho nu e vivem em colônias no lado inferior das folhas novas. O ataque é notado pela presença de teias.
. Vaquinhas: na fase adulta (Figura 9) são pequenos besouros de cores variadas, alaranjados ou verdes com manchas amarelas que comem as folhas e causam maiores prejuízos no início do desenvolvimento das plantas. A fase de larva(Figura 9) causa também graves prejuízos tombando as plantinhas recém emergidas e furando raízes e tubérculos.
. Tripes: raspam as folhas, deixando pequenas manchas brancas. São insetos pequenos (3 mm de comprimento) que vivem em colônias nas folhas novas ou nos locais mais escondidos.
. Cochonilhas: são insetos minúsculos, geralmente marrons ou amarelos, que alojam-se principalmente na parte inferior das folhas e nas fendas. Além de sugar a seiva da planta, liberam uma substância pegajosa que facilita o ataque de fungos.
. Minadores (Figura 10): minam as folhas, hastes e frutos formando galerias. São pequenas larvas de diversas espécies de insetos. Os adultos são pequenas moscas (1 mm de comprimento).
. Moscas brancas: são insetos pequenos e, como diz o nome, de coloração branca. A presença é fácil de notar, pois diante de uma planta infestada se observa uma pequena revoada de minúsculos insetos brancos. Costumam localizar-se na parte inferior das folhas, onde liberam um líquido pegajoso que deixa a folhagem viscosa e favorece o ataque de fungos. Alimentam-se da seiva da planta. As larvas desse inseto, praticamente imperceptíveis, também alojam-se na parte inferior das folhas e, em pouco tempo, causam grande infestação.
. Lesmas e caracóis: danificam as folhas e as raízes de plantas tenras. Preferem terrenos úmidos e atacam, principalmente, à noite e em dias chuvosos.
. Formigas: as formigas cortadeiras são as que mais causam estragos. Elas cortam as folhas para levá-las ao formigueiro, onde servem de nutrição para os fungos, os verdadeiros alimentos das formigas.
. Grilos: cortam as plantinhas ainda pequenas à noite e se escondem em tocas profundas no solo, especialmente quando esse não é revolvido a cada cultivo (plantio direto).
Figura 5. Danos de lagartas em repolho
Figura 6. Broca pequena do tomateiro (Foto: Juarez José Vanni Muller)
Figura 7. Danos da broca das cucurbitáceas em pepino (Foto: Áurea Teresa Schmitt)
 Figura 8. Ataque intenso de pulgões em repolho
 Figura 9. Vaquinha (patriota): fase adulta e de larva (Foto:José Maria Milanez)
 Figura 10. Larva minadora atacando folhas de feijão-de-vagem (Foto:Honório Francisco Prando)
    Nem todos os insetos são pragas das hortaliças. Existem insetos que são benéficos às plantas, pois agem como inimigos naturais dos insetos-pragas. A joaninha, inimigo natural de pulgões e cochonilhas, é um dos exemplos mais conhecido de inseto benéfico para as plantas. Além das aves, as pequenas vespas são inimigas naturais das lagartas em geral.
    As plantas espontâneas ou indicadoras, chamadas de plantas "daninhas", no cultivo convencional, são consideradas plantas "amigas" no sistema de produção orgânico, depois do período crítico de competição (fase inicial de desenvolvimento dos cultivos), pois além de cobrirem o solo e reduzir a erosão indicam problemas no solo.
     As plantas espontâneas de maior dificuldade de manejo são aquelas que se propagam por rizomas, raízes, tubérculos e bulbos. Para essas, as capinas têm pouco efeito, uma vez que ao cortá-las, deixa-se no solo, justamente o meio de propagação e disseminação da planta espontânea (exemplo:a cebolinha da tiririca).
Tabela 1. Algumas espécies de vegetação espontânea consideradas como plantas
"indicadoras" ou plantas "amigas". 
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